Os impactos dos desastres ambientais não são naturais

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), os riscos climáticos referem-se à probabilidade de eventos adversos relacionados ao clima, como tempestades e inundações, causarem impactos negativos em pessoas e comunidades. Esses riscos não são determinados exclusivamente pela ocorrência de fenômenos naturais, mas também são diretamente influenciados por fatores sociais, econômicos e ambientais.
Os riscos climáticos são resultados da interação entre os perigos climáticos e as vulnerabilidades humanas. Os perigos climáticos são fenômenos naturais, como chuvas intensas e inundações, que podem causar danos. No entanto, o alcance dos danos causados por esses fenômenos é amplamente determinado pela vulnerabilidade das pessoas e das comunidades afetadas.
A vulnerabilidade pode ser entendida como as características e circunstâncias que tornam as pessoas e as comunidades mais propensas a sofrerem impactos negativos diante de um perigo climático. Fatores como falta de acesso a serviços básicos, desigualdades sociais, infraestrutura inadequada e degradação ambiental aumentam a vulnerabilidade das comunidades aos riscos climáticos.
Por exemplo, desastres naturais têm impactos diferenciados com base no gênero. Alguns estudos apontam que após desastres, como inundações e enchentes, mulheres enfrentam maiores taxas de mortalidade do que os homens.
Agressão física e violência sexual contra mulheres também aumentam nos locais de acolhimento para desabrigados. No caso do Rio Grande do Sul, conforme o noticiado nos jornais, o Ministério das Mulheres, recebeu relatos de abusos a meninas e mulheres em abrigos que acolhem vítimas das enchentes. Algumas mães de crianças com deficiência física ou mental também relataram que alguns transtornos se intensificam em razão das condições dos abrigos.
Esses aspectos ressaltam a importância de adotar abordagens sensíveis ao gênero e outras características específicas, bem como vulnerabilidades, na gestão de desastres naturais e na elaboração de políticas de redução de riscos. Reconhecer e atender às necessidades particulares das mulheres durante e após os desastres é crucial para assegurar uma resposta efetiva e justa. Da mesma forma, é fundamental reconhecer e abordar as necessidades de grupos sistematicamente vulnerabilizados, como crianças, idosos, pessoas privadas de liberdade e comunidades tradicionais, entre outros. Isso implica garantir o acesso desses grupos a serviços de saúde, abrigos seguros e oportunidades de reconstrução após os desastres, enquanto desafia e transforma as normas sociais que os colocam em maior risco.