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A Realidade Complexa e a Importância dos Dados em “Factfulness”

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Quando vi a capa do livro “Factfulness: O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos”, achei que não iria gostar. Acabei comprando porque tenho me interessado há um tempo em entender os fenômenos contemporâneos de polarização e desinformação.

Confesso que a capa não me atraiu. O subtítulo e a frase “informações como uma forma de terapia” pareciam indicar que seria um desses livros superficiais, repletos de frases prontas para vender o que as pessoas querem ouvir.

Também não acredito nessa separação entre razão, baseada em fatos, e afetos. Nunca me convenci de que o fenômeno das fake news, terraplanismo e outros discursos sem respaldo científico resultam do descaso da população pelos fatos ou da substituição da razão pela emoção. Não creio que a superação do que enfrentamos hoje se dará meramente pelo uso dos fatos em lugar dos afetos. Somos seres essencialmente relacionais, nos constituímos e somos transformados diariamente pela capacidade de afetar e ser afetados.

Mas essa discussão fica para depois, pois o livro não defende isso.

Diferente do que meu preconceito inicial sugeriu, o livro não é sobre fake news ou discussões medievais sem respaldo na realidade. Ao contrário de oferecer respostas fáceis, o livro busca entender por que, quando confrontadas com perguntas simples sobre tendências globais, as pessoas sistematicamente respondem incorretamente.

Hans Rosling, médico, estatístico sueco e consultor da OMS, fundou a organização Gapminder, que promove um modo de ver o mundo por meio de dados. No livro, ele demonstra formas de pensar e enxergar a realidade que afastam as pessoas, mesmo as mais instruídas, das respostas corretas sobre o mundo.

Ele apresenta 10 “instintos” que devemos evitar para basear nossa visão de mundo em dados reais. Contudo, o que mais me chamou a atenção no livro foi a didática do autor ao longo da narrativa, bem como a maneira como ele utilizou suas histórias profissionais e pessoais. O próprio livro é uma ferramenta importante para repensarmos como levamos discussões ao público ou até mesmo às salas de aula, especialmente quando se trata de discussões sobre direitos humanos.

De forma geral, os instintos, como “olhe a maioria, não só os extremos”, “cuidado com as generalizações”, “notícias negativas são mais comuns”, trazem uma conclusão que ele tira de sua própria experiência: a realidade é muito mais complexa do que dois pontos de vista. É preciso conhecer a realidade antes de falar dela. E, para falar dela, é necessário compreender que os números são ferramentas e não um fim em si mesmos; por isso, é preciso olhar o todo.